Nossa Tabela de Preços << voltar
autor: Henrique Karroiz publicação: 09/11/2016
artigo: Nossa Tabela de Preços

Adiantando-nos no planejamento do nosso viver, inclusive na proposta que nos compõe a cada dia, isto é, planejar os "custos" diários que se chegam a nós dentro da materialidade e das sensações que nos envolvem, as criaturas encarnadas precisam estabelecer os parâmetros justos para poder se exercitar em equilíbrio. Usando do discernimento e não nos acomodando ou negligenciando em responsabilidades, a visualização diária de nossos "gastos" e movimentações são fontes de abertura às nossas almas, são propostas que a vida nos apresenta para que, num contexto íntimo e social consigamos o aprendizado e o crescimento dentro deste próprio manuseio do material e do sensorial.

Incluindo-nos sob o título de "bons gastadores" alertamos para os processos que ocorrem sob particularidades, dia a dia, as provas e as decisões porque passam as almas nesta seleção diária de como pensar ou agir, de como atuar dentro das chamativas explorativas da sociedade e das circunstâncias que nos são impostas. Mas, estas circunstâncias que vivem nos explorando, nos fazendo explodir, muitas vezes por não termos estruturas físicas ou sensoriais para manuseá-las, fazem parte de uma das parcelas de um total que precisa ser adquirido, isto é: 1ª parcela + 2a parcela + 3a parcela + 4a ou mais algumas até atingirmos o total esperado por nós e pela Espiritualidade que nos orienta.

Atualmente, o homem se sacrifica por coisas mínimas, por momentos efêmeros de prazer, por obtenções que lhe oneram o viver, e que não acrescentam em nada no total a ser adquirido diariamente. Como o que, por exemplo?

Todo o supérfluo. Já repararam que se aborrecem por pequenas coisas? Grande é aquele que sabe ultrapassar as pequenas dificuldades, pois para se conquistar as grandes coisas temos que passar por cima das pequenas. Se olharmos somente as manchas e os defeitos de cada alma e não nos aprofundarmos a observar os potenciais e as qualidades de nossos irmãos, estaremos cerceando nossas captações e negando os valores de nosso próximo, numa visão acanhada e negativista.

Mas, nossa tabela de "preços" se torna mal coordenada e desequilibrada desde o instante em que a colocação não se ajuste às reais necessidades a serem preenchidas, fazendo com que enumeremos os itens do viver sob especulações e má distribuição dos valores que viemos buscar, pontos estes, específicos, a se delinearem perante nossos olhos sob justas avaliações e mensurações. A nossa tabela de preços é uma tabela pautada na moral, fator preponderante neste somatório e que nos vai acompanhar pela eternidade.

Essa tabela de preços que precisamos saber preencher surge a cada dia ao acordarmos. Visualizamos as propostas do dia no trabalho, no social, no lazer e, também na displicência e descaso em alguns desses setores. As negligenciações em partes das solicitações que a vida nos conclama, diariamente, farão com que possamos estar depreciando valores que viemos, muitas vezes, resgatar.

Como fazer uso de uma tabela de preços justa? Como colocar esses "preços" no procurar diário?

Conscientizando-nos, esforçando-nos a cada lida diária e buscando agir com autenticidade e discernimento, não agindo só por agir.

Bem, só lhes digo que quando há interesse na obtenção de ganhos todos sabem, perfeitamente, dar os preços certos, porque visualizam lucros abastados; isto acontece com todos que participam de processos de compra e venda.

Então, se temos um pouco de comerciantes no nosso viver quando se trata de comercializar algo na matéria, como não buscar, também uma rotina "comercial" na obtenção de lucros íntimos e espirituais, lucros estes que virão a nós se soubermos mensurar com justiça o preço do nosso viver em geral?

Amigos, a tabela de "preços", de "troca", de "lucros", de "prejuízos", de equilíbrio justo na mensuração do viver faz parte da harmonia que viemos buscar.

Se estivermos defasados em alguns itens desta tabela poderemos falir em alguns de nossos propósitos ou termos prejuízos não esperados. Para que o lucro seja total é necessário que nos libertemos dos excessos de ambição, vaidade e orgulho.

Cada tabela de nosso somatório cármico necessita de avaliação justa, de mensurações verdadeiras a não nos trazer sob aspectos especulativos ou ilusórios, fazendo com que somemos erradamente e tenhamos desilusões ao ver o total na soma destas parcelas.

Conhecer a nós mesmos e buscar conhecer irmãos, penetrar mais profundamente em cada situação, buscar a medida certa no uso da materialidade, apreciar sentimentos com o uso da razão e apreciá-los de uma forma mais nítida e compreensiva, serão passadas para que uma realidade espiritual não se obscureça a nós.

A ilusão nos desafia a viver a cada instante de vida, o medo de prejuízos e desilusões nos chegam fazendo com que recuemos em momentos que precisariam ser enfrentados, o desamor nos acalanta por vermos as deficiências do objeto enfocado e a grande necessidade de compreensão que teremos a exigir de nós mesmos a podermos conviver com esse desamor.

Esse desamor atinge a maioria das almas encarnadas. Sabem por que? Porque se iludem uns com os outros. Irmãos, é preciso saber que todos temos pontos positivos e negativos, e não se iludirem por perceberem as fragilidades e lacunas do próximo. A consideração e a amizade deve existir e ser visualizada, pois a perfeição não atinge a esfera ou as criaturas que nela habitam, portanto, o verbo amar precisa ser declinado em todos os tempos e modos e em várias direções, atendendo às necessidades das criaturas. Se houver desamor é que nunca houve amor verdadeiro, pois "o amor cobre a multidão dos pecados", sejam eles quais forem, e muito mais ainda, qualquer desilusão que transpareça na convivência diária.

Em vários setores do viver a tabela justa de apreciação precisa e deve funcionar.

Por exemplo: Acordamos e sabemos que naquele dia precisamos enfrentar a luta do trabalho profissional, as pessoas que nos cercam em suas diversas personalidades e manifestações; o próprio teor do aprendizado e distendimento profissional; o trânsito cansativo e desgastante; a falta de dinheiro a não nos poder alimentar tão bem ou mesmo nos apresentar, estruturalmente, mais bem vestido; o próprio desinteresse pela atividade em que estamos envolvidos, por acharmos que tomamos o caminho errado; a tristeza ou o desalento de um amor afastado ou de uma perda sentimental; o protesto em ter que lutar dia a dia, num cansaço íntimo, isto é, num total desinteresse, pois achamos que o viver é cansativo e que nos exige muito, quando gostaríamos de estar descansando mais e buscando prazeres e tarefas mais amenas. Não é assim que acontece, diariamente? Não nos situamos dentro de um ou dois destes itens, destas parcelas do viver?

Então, o que será preciso fazer para que ajustemos os preços de nossa vitrine cármica a que nós mesmos possamos ser atraídos a visitá-la e vivenciá­-la, diariamente, com vontade, alegria e coragem?

O que será que nos fará sair de marasmos ou excessivas contemplações que não acrescentarão nada na soma de nossas parcelas cármicas?

Diria que a Fé, não uma fé contemplativa, mas a que se baseia na razão e na sensibilidade, embora saibamos que somente um posicionamento contemplativo não nos irá elevar às culminâncias das montanhas espirituais superiores, e sim, realizando um trabalho íntimo e constante, em doação própria de amor envolvidos em atitudes de dignidade e moral. a elevação se conquista com trabalho, esforço, arregaçando as mangas e gastando nossas vestes carnais.

Bem, acontece que temos que dispor os itens por valores. Serão valores pequenos, médios e grandes, adquiridos e tabelados justamente.

Quais seriam estes valores a serem tabelados e trazidos sob apreciação a cada dia?

Vejamos alguns deles:

1 - NECESSIDADE DE UM TRABALHO DENTRO DE NOSSAS APTIDÕES.

Ponderemos sobre as tarefas que exercitamos, profissionalmente: o que representam para nós, nos suprem, intimamente, realizando-nos na construção de algo, nos foram impostas e estamos em negativas de exercitá-las, nos trazem problemas diários?

Coloquemos percentuais em cada um desses itens, e vejamos se conseguimos observar o que cada tarefa ou exercício profissional está trazendo a cada um de nós. Em face dessa resposta, vamos ver se mesmo em negativas, desinteresses ou reais abastecimentos não nos estarão trazendo algum crescimento, seja profissional ou humano, na constante lida com as criaturas a seu redor.

2 - PREENCHIMENTO DAS NECESSIDADES MATERIAIS:

Ponderemos se conseguem se sentir ajustados nestes preenchimentos, lembrando sempre de que um viver precisa se efetivado dentro de obtenções justas e equilibradas a não nos trazer sob ônus imensos que irão nos enfraquecer e tirar a alegria do viver.

O viver feliz não se restringe a obtenções materiais, mas a doses de equilíbrio dentro daquilo que Deus nos possibilita e temos à disposição.

Não estarão exigindo obtenções caríssimas a preencher, não mais suas necessidade, mas sim seus excessos, e com isto não se sentindo realizados no viver?

3 - PREENCHIMENTO DAS EMOÇÕES SE ENCONTRA VACILANTE OU SEM SENTIDO:

Ponderemos se não estamos tentando gerar emoções conturbadas e distorcidas a nossas almas, e nos permitindo conduzir por uma compulsão da mídia que traz a todos sob sensações e emoções excessivas.

Analisemos se essas emoções nos estão trazendo a reais complementação e felicidade, ou se apenas nos falseiam em verdades que não queremos penetrar.

Muitas vezes, as criaturas deixam-se envolver por sensações e estabelecem uma ligação com elas, achando que se completam. Entretanto, por vezes, elas não são reais e sim construídas em cada íntimo por necessidade de complementações. Quando isto acontece vemos que são ilusões formadas pela própria mente, que, quando percebidas trazem grandes desilusões, pois nestes instantes, forjam emoções apenas para que o mundo exterior não penetre em suas fragilidades e tristezas. É preciso buscar sempre um equilíbrio em nossas emoções, pois foi para isto que retornamos às esferas encarnatórias.

Ainda mais, muitas criaturas se permitem conturbar pelas emoções para que não vejam suas outras fragilidades, pagando preços muito altos por estarem infringindo a si próprias tormentos futuros maiores.

Onde estará a lacuna das sensações?

Por que buscar sensações fortes ou onerosas, se a necessidade real de todos nós é a emoção constante no equilíbrio de sensações e sentimentos?

Por que não tentar alicerçar as sensações num viver tranqüilo? Porque, meus amigos, precisamos buscar a harmonia no pensar e no viver, porém, enquanto não soubermos tabelar com justiça os valores que viemos aprender a mensurar, iremos sofrer, nos desgastar e perder oportunidades valiosas.

O amor, o trabalho, a felicidade, os prazeres, as emoções, a justiça, a moral, o caráter, a vertente mor da caridade e da fé são parcelas de importantes valores que precisam ser respeitadas. Porém, se passarmos à frente destas fortes âncoras de nosso viver, a tendência das paixões insensatas, a loucura da ambição, a falsa cobertura da vaidade, a falta de compreensão e força para buscarmos alicerces de vida mais verdadeiros, a nossa "tabela de preços"estará falseada por negligência e falta de visão de cada um de nós.

Saber mensurá-las e dispor de cada uma delas a cada dia é exercício teórico e prático, exatamente, como aprendemos a somar 2+2 e decoramosr que são 4. Porém, não bastará decorar a tabela da vida, mas aplicá-la nos teoremas e teses do viver, pois se não passarmos pelo primarismo das operações básicas do viver, como chegaremos às emoções da visualização das almas nobres?

Se não soubermos somar, diminuir, dividir e multiplicar, ficaremos contando, infantilmente, nos dedos da matéria física até concluirmos que existe algo mais possante do que a estrutura material a nos ajudar a pensar: a mente, preciosa máquina de crescimento, mas precisando do óleo quente da vontade, da persistência na aceleração da sequência dos pensamentos, da água cristalina da fé e do impulso generoso e forte do amor, esta fonte de energia e alimentação que irá gerar potenciais iluminados como os que, hoje podemos presenciar no espaço infinito.

Por que dizer e acharmo-nos felizes somente em momentos de aturdimentos e envolvimentos com outras almas? Por que não nos acharmos completos e felizes em momentos de tranquilidade, de leituras, de ponderação e de paz?

Henrique Karroiz
Mensagem psicografada por Angela Coutinho em 12 de fevereiro de 2003, Petrópolis, RJ.

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