Parcimônia nos Atos << voltar
autor: Emmanuel publicação: 16/07/2004
artigo: Parcimônia nos Atos

Praticamente, a criatura humana e racional não se de­em muito no distendimento de suas atitudes, permitindo­-se agir e reagir, na maioria das vezes, impetuosamente.

O zelo do raciocínio, da sequência dos pensamentos, zelo da razão e da const­ânciaem condutas é privi­légio da raça humana que ra­ciocina, que determina, que reage e que se sensibiliza.

Nestes adestramentos outorgados pelo Pai a filhos que já atingiram etapas laten­tes, em meios diversos em que se distendem os vários ti­pos de natureza, é que iremos demonstrar a grande disponibilidade em pensar e agir, con­cessão permitida a que as cri­aturas possam demonstrar que, assim como lhes foram dadas as oportunidades em opções de vivências, também, dentro destas amplas liberda­des, será preciso que a res­ponsabilidade, os deveres e os direitos façam parte desta grande outorga.

O crescimento é direito concedido a todas as naturezas, nos seus diferentes e diversos níveis estruturais e de condensações, porque crescer exigirá, cada vez mais de todos, atenção, limites e respei­to, a conceder o pleno retorno a Alguém que confia em nós e nos quer ver em melhores tra­çados humanos e espirituais.

Amealhando a cada vida lições e possibilidades, a cri­atura pensante e sensível não se poderá deixar levar por suas impetuosidades e "gênio", porque as impetuosidades e gênios somente nos demonstram a falta de equi­líbrio e descortino da alma.

Irmãos, nosso viver entre outras naturezas, entre os di­versos meios naturais que co­laboram com a manutenção da vida humana, assim como a vivenciação que se efetiva entre seres pensantes em bus­ca de melhores discernimen­tos, tem que ser pautado no respeito e no dever que nos cabe a todos: sermos irmãos e filhos do mesmo Pai.

Portanto, únicos em pater­nidade, únicos em alinhamen­tos íntimos próprios, únicos na vivenciação ainda primária na esfera que nos acolhe, únicos em múltiplas defasagens, como em possibilidades, úni­cos ainda a errar, a abusar, a não nos trazermos em máxi­mas perceptivas sobre a be­leza e grandiosidade desta dádiva que nos traz à vida de relação já em possibilidades de maiores intercâmbios.

Com todas estas concessões e possibilidades, não nos caberá agir sem pensar, não nos caberá não trazer­mos à lembrança esta bên­ção que é abraçar este vi­ver, agradecendo as tantas lidas e possibilidades de aprendizado e crescimento. Porém, após chegarmos a este ponto de possibilidades abrangentes, não será lícito permanecermos nas impulsi­vidades de atos, pensamen­tos e envolvimentos, sem movimentar razão e raciocí­nio, demonstrando que mui­tos de nós ainda estamos mais próximos da animalida­de do que da forma humana, que poderá, mais conscienciosamente, usar de uma pon­deração, não é verdade?

A parcimônia em nossos atos, o equilíbrio em nossas ações, a sequência lógica a nos conduzir na materialida­de e nas formas de condução humanas, sociais e emocio­nais, nos apontarão como cri­aturas aptas a se organiza­rem, a discernir melhor num futuro próximo e eterno.

Parcimônia ao pensar.

Parcimônia a conduzir linhas de pensamentos e avaliações.

Parcimônia nos gestos, nas palavras e no olhar.

Parcimônia na dilatação das emoções e sentimentos.

Parcimônia ao ganhar e ao perder.

Parcimônia na fé, sentida e raciocinada.

Parcimônia em atuar em cada papel que distende nes­ta vivência cármica.

Parcimônia no trato com o rico e com o pobre, com os doentes e necessitados.

Parcimônia, irmãos, com as faltas dos outros, assim como deveremos ser exigentes com as nossas próprias faltas.

Parcimônia ao receber e no doar, sentindo que nada nos pertence neste mundo, e sabendo que nada dele levaremos.

Parcimônia na fé, no amor, nas paixões ilusórias, na rotina no trato com irmãos.

Parcimônia em ouvir e prestar seu depoimento de criaturas ainda primárias, per­seguindo este facho de luz que nos trouxe, parcimonio­samente, a todas estas possi­bilidades de crescer.

Amemos com equilíbrio, vivamos com discernimento, trabalhemos em alinhamen­tos de luz e progresso, fa­zendo aos outros o que gos­taríamos que fizessem a nós. Será que somos parcimoni­osos com irmãos, nesta vivência tão ampla?

Pensemos com lucidez sobre esta nossa “parcimônia com o alheio”. 

Angela Coutinho

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