A Liberdade de Ser << voltar
autor: Emmanuel publicação: 13/12/1998
artigo: A Liberdade de Ser

O que é liberdade de ser?

O que é liberdade em pensar e agir, sob o patrocínio de nossas razões, percepções e atitudes?

Na verdade, liberdade é um termo que já dignifica algo ou alguém que sabe conduzir-se e se alojar em conceituações dignas, verdadeiras, coerentes, fraternas e equilibradas, dentro de consensos lógicos e práticos, já alcançando estágio de maiores desprendimentos e compreensões.

Isto é liberdade, ousar ser fiel a si, íntegro em conceitos que, amparados por leis divinas e eternas, nos permitam ser colaboradores e organizadores, também deste contexto universal cósmico, e de nosso próprio mundo íntimo, não é verdade?

Entretanto, o que podemos notar no viver da esfera, através dos muitos séculos, é que este conceito de liberdade vem sendo utilizado a pretexto de obtenções extras, facilidades, irresponsabilidades e abusos, a permanecerem as almas em estados de vivenciações condensadas em lógicas distorcidas e conceitos mal direcionados.

Liberdade de ser todos temos, porque Deus nos legitimou com a livre escolha; escolha de apresentações íntimas, escolha de sentimentos e posturas, como também na consciência de que a liberdade, esta amplitude em ser e existir, nos trará sob efeitos de tudo que ousarmos e com que nos envolvermos.

Para sermos livres em ser, pensar e agir, temos que nos livrar, em primeiro lugar, das dívidas, dos remorsos, das incompreensões, da preguiça, de orgulhos, vaidades e egoísmos; para sermos livres e ousarmos vôos mais altos, teremos que nos libertar dos liames pesados dos luxos e riquezas, olhando todo o mundo de materialidade densa de forma a saber usufruí-la e usá-la em prol de nosso crescimento, abastecimento e caridade; liberdade de ser será alcançada, quando a liberdade de agir se unir a patamares de equilíbrio e harmonia, a não distorcer valores, a reconhecer cada sentimento nos percursos cármicos.

Libertos seremos, quando conseguirmos viver em consciência de deveres cumpridos, alicerce básico para uma paz íntima.

Libertos seremos, quando a suíte que ocupamos no lar terreno se tornar um campo florido, onde a compreensão e a aceitação no crescimento de cada natureza que habita, se posicionar em um conjunto único, entrelaçados nos direitos e deveres de almas amigas e cristãs. Libertos seremos, quando a rigidez da matéria for utilizada em prol de um viver coeso neste poder de manutenção de nossas vidas, aliado às necessárias repercussões de nossas almas.

Libertos ousaremos ser, se a consciência íntima for pautada em ritmos de qualificações equilibradas e autênticas: valores serão vistos na íntegra, respeito será atitude constante diante de qualquer fonte de vida, compreensão detonará aspectos de penetrações mais fortes, aceita-ção revelará valores já integrados em pautas de elevação espiritual, fraternidade será o mosaico final a compor este campo tão vasto e florido que é ser, estar liberto das tantas algemas de viciações que envolvem as almas ainda enfaixadas nos pragmatismos e lições densas.

Assim, ponderando e aprendendo a ceder, compreender, aceitar, perdoar e amar, acima de tudo, é que iremos buscar esta liberdade tão ansiada. Sim, porque a liberdade que se des-fralda, hoje, diante de nossos olhos se exemplifica somente como em atitudes de desvalorização de conceitos firmados através dos tempos. Esta pressuposta liberdade são destinos a serem cometidos, almas revoltadas que, não adaptadas às contingências cármicas, se negam a se estabelecer em contingências que elas mesmas criaram, seres corrompidos em seu íntimo, sem um poder maior de avaliação para perceber que liberdade é estágio íntimo de paz, de dever cumprido, de resgates adquiridos, e não ditar normas que se confrontem com os códigos de moral, dignidade e respeito.

Notamos que esta mal dirigida e entendida liberdade somente atinge as almas em certos momentos de sua vida, para vir logo depois, um reconhecimento mais íntimo de prisão. Sim, prisão em não ter obtido com a gritaria à liberdade sexual, à liberdade de pensar e viver, os prazeres, as satisfações e legitimidades tão perquiridas, pois o erro é pensar que para ter liberdade é preciso ir de encontro a estruturas firmadas pelas leis humanas e divinas, é pensar que posições arbitrárias demonstrarão independências e posturas humanas e sociais fortes.

Irmãos, Deus nos dá a liberdade o tempo todo, nos permite usar de livre escolha e arbitrarmos atos e pensamentos. É, nós, onde nos colocamos, ainda? Estamos vivendo em palcos de efeitos que nós mesmos causamos, não é?

Liberdade, irmãos, exige responsabilidade. Responsabilidade demonstra conhecimento e compreensão. Compreensão e fé demonstram clareza espiritual.

Caminhemos em busca desta liberdade: ousada, mas conscientemente legitimada nos verdadeiros códigos e leis humanas e divinas.

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