A Melancolia << voltar
autor: Henrique Karroiz publicação: 27/09/2019
mensagem: A Melancolia

A melancolia se solidifica quando ainda não terminamos os nossos estatutos próprios, quando ainda estamos alheios ao mundo que nos cerca e que nos envolve. A melancolia é a certa fisionomia daqueles que imploram perdão a si próprios e pelas investiduras que ornaram ao passar pelos anos; é a totalidade em reduto sensível e prisioneira das maledicências e das tendências dolorosas às quais ainda não conseguimos destruir.

O homem arisco, o homem poderoso e culto, principalmente, traz dentro de si a instabilidade em momentos fortes nos quais se consagrou a disputas e envolvimentos no passado.

Melancolicamente falando, estaremos diante de homens e mulheres ariscos no viver, instáveis no proceder e, totalmente, desarmonizados com as naturezas que os envolvem.

Caprichosamente, o destino lhes traz inúmeras soluções diversas a tempos diversos; parcialmente, suas vidas são voltadas a interiorizações de inverdades, pois as substanciais coisas e lembranças flutuam nas areias do tempo, deixando que se aprofundem, sumindo em vãs ideias e sutis lembranças.

Ser melancólico é ser triste, ultimando um raciocínio retrógado e sem finalidade; ser melancólico é querer redimir-se e, ao mesmo tempo, ausentar-se; é querer ser e não conseguir tornar-se convicto; é querer usar e se frear; é sentir que nada no mundo o acolhe, pois estará sempre alienado de tudo que o envolve.

Ser atuante, ser triste, ser saudoso, ser manifesto em calorosas discussões e saber viver é a arte de vida em todas as esferas e todos os meios. Saber ser o Ser individual e amplo, é aspecto a ser atendido e agasalhado pelo Espírito, é, acima de tudo a essência plena retratada pelo Criador.

Cada um de nós usufruirá de plenos momentos se soubermos manter-nos à margem de temas como “melancolia”; poderemos exercitar-nos, simplesmente, aceitando a vida como ela se dispõe a nós, e como a sentimos e queremos.

Somos almas em busca de nós mesmos em verdades, em sentimentos, em busca de paz e amor.

Perdoar e ser perdoado, sentir e saber mensurar, amar e sentir-se ampliado por este sentimento, será a recompensa final. A plenitude de sentimentos e virtudes será a abrangente esfinge a ser traçada e moldada diante de nós mesmos, por toda a eternidade.

Henrique Karroiz

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